Senador afirma que a aeronave pertencia a um amigo. Viagem ocorreu durante período de negociação do financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro
Uma reportagem divulgada nesta semana revelou que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou, em janeiro de 2025, em um jatinho executivo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A informação foi publicada inicialmente pela revista piauí e repercutida pelo Jornal da Globo. Segundo a apuração, Flávio retornou de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas e do advogado e empresário Willer Tomaz.
A aeronave utilizada era um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR. O avião era formalmente registrado em nome da empresa Fraction 024, cujas cotas eram divididas entre Willer Tomaz, outro empresário e a Prime You, companhia de compartilhamento de bens de luxo que teve Daniel Vorcaro como sócio entre 2021 e setembro de 2025.

O que disse Flávio Bolsonaro
Após a divulgação da reportagem, Flávio Bolsonaro afirmou que, na época da viagem, considerava que o avião pertencia ao amigo Willer Tomaz.
Em uma publicação nas redes sociais, o senador escreveu, em tom irônico: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”.
A declaração faz referência ao fato de que a mesma aeronave foi utilizada, meses depois, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e pela esposa dele, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Declaração anterior
A revelação ganhou repercussão porque, em julho de 2026, Flávio Bolsonaro havia afirmado publicamente que nunca tinha entrado em um avião de Daniel Vorcaro, declaração mencionada também pela reportagem exibida no Jornal da Globo.

O senador sustenta, porém, que viajou a convite de Willer Tomaz e que não sabia que a aeronave possuía ligação societária com Vorcaro.
Até o momento, a divulgação da viagem, por si só, não representa comprovação de que Flávio tenha cometido alguma irregularidade.
Relação com o filme “Dark Horse”
Segundo a revista piauí, a viagem aconteceu durante o período de negociações para o financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reportagens anteriores apontaram que empresas ligadas a Vorcaro destinaram dezenas de milhões de reais ao projeto. Flávio Bolsonaro confirmou a existência do acordo comercial, mas afirmou que a operação era privada e que não houve favorecimento político ou irregularidade.
A coincidência entre a data do voo e as negociações relacionadas ao filme passou a ser mais um ponto observado nas apurações sobre as relações de Vorcaro com políticos, autoridades e integrantes do Poder Judiciário.

Mesmo avião foi utilizado por Alexandre de Moraes
O Legacy 650 também aparece em outra controvérsia recente. Um vídeo divulgado pelo jornal O Globo mostrou Alexandre de Moraes e Viviane Barci desembarcando da aeronave no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em agosto de 2025.
O escritório de Viviane confirmou a contratação de serviços de táxi aéreo, mas negou vínculo pessoal com Daniel Vorcaro. A banca afirmou ainda que o empresário não estava presente nos voos e que a escolha das aeronaves cabia à empresa contratada.
O caso permanece no centro do debate político nacional, especialmente porque Flávio Bolsonaro vinha criticando Moraes pelo uso da aeronave antes da divulgação de que ele próprio e sua família também haviam viajado no mesmo jatinho.
Com informações da revista piauí, Jornal da Globo, Agência Brasil e demais veículos citados.