"Abin Paralela": A espionagem política estruturada
Nas últimas semanas, a Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório final do inquérito que investiga o uso de uma estrut...
20/06/2025 às 00:17 Descalvado/SP
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<p>Nas últimas semanas, a Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório final do inquérito que investiga o uso de uma estrutura clandestina de inteligência dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro — batizada de “Abin paralela” .<br><br>Segundo a PF, entre 2019 e 2023, essa estrutura foi usada para espionar ilegalmente dezenas de autoridades públicas, ministros do STF, jornalistas, ativistas e adversários políticos — inclusive espécies de dossiês, monitoramento de localização via software "First Mile" e disseminação de informações falsas, em sinergia com o chamado “gabinete do ódio” coordenado por Carlos Bolsonaro .<br><br><strong>Bolsonaro e Carlos: líderes do esquema</strong><br><br>A PF concluiu que Jair Bolsonaro e seu filho Carlos atuaram como “núcleo estratégico” da rede criminosa:<br><br>Jair Bolsonaro foi apontado como “centro decisório” do esquema, claramente consciente das operações clandestinas e beneficiário direto das vantagens políticas geradas .<br><br>Carlos Bolsonaro, vereador do Rio, teria definido os alvos das investigações ilegais e usado as informações obtidas para alimentar campanhas de desinformação e ataques digitais, controlando sua rede de militância virtual.<br><br>Carlos chegou a ironizar a investigação nas redes sociais, afirmando que a PF seria “a PF do Lula” e sugerindo que as acusações seriam motivadas por interesses eleitorais .<br><br><strong>A operacionalização do esquema</strong><br><br>O relatório da PF aponta que a Abin paralela foi conduzida por agentes e servidores, comandados pelo ex-diretor Alexandre Ramagem — indicado por Carlos Bolsonaro — e que utilizava recursos oficiais (viaturas, sistemas, servidores) para monitoramento ilegal .<br><br>A ferramenta espiã First Mile foi usada intensamente, com cerca de 60 mil acessos entre 2019 e 2023, sendo especialmente ativa durante as eleições municipais de 2020 .<br><br>A rede visava proteger os interesses da família Bolsonaro — incluindo o senador Flávio — e minar instituições democráticas, como o STF, o TSE e a própria legitimidade das urnas eletrônicas .<br><br><strong>Desdobramentos judiciais</strong><br><br>A PF indiciou mais de 30 pessoas, entre elas Alexandre Ramagem, Carlos e integrantes da atual gestão da Abin, embora Jair Bolsonaro não tenha sido formalmente indiciado neste inquérito, já que responde por organização criminosa no inquérito do suposto golpe de 2022 .<br><br>O material foi encaminhado ao STF e será avaliado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia .<br><br>Além disso, o atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, foi acusado de atrapalhar a investigação — evidenciando uma “contaminação institucional” que persiste mesmo após a saída de Bolsonaro .<br><br><strong>Por que o caso é relevante?</strong><br><br>1. Revela o uso abusivo e político do aparato de inteligência do Estado.<br><br><br>2. Confirma o alinhamento entre espionagem, desinformação digital e interesse eleitoral.<br><br><br>3. Acende alerta sobre a necessidade de supervisão and conteúdo democrático sobre órgãos sensíveis, como a Abin.<br><br>� <strong>Situação atual</strong><br><br>O STF avaliou o sigilo e tornou público o relatório (18 de junho de 2025) .<br><br>A PGR agora definirá se oferece denúncia com base no inquérito.<br><br>Bolsonaro segue respondendo por organização criminosa no inquérito do golpe, e pode vir a enfrentar mais acusações por espionagem ilegal.<br><br>� <strong>Resumo</strong><br><br>Atuações Envolvidos Próximos passos<br><br>Espionagem ilegal, influência política, fake news Jair Bolsonaro (executor político), Carlos Bolsonaro (coordenador digital), Alexandre Ramagem (operacional) PGR pode apresentar denúncia, STF analisará, potencial processo contra Carlos e outros<br><br>Este caso — da “Abin paralela” — reforça o debate sobre como agências de Estado podem ser usadas para interesses pessoais e políticos, o que representa uma séria ameaça à democracia e ao equilíbrio entre os poderes.</p>
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